Copiar treinos de influenciadores traz riscos graves à saúde

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Foi durante o Carnaval de 2025, quando sua academia estava fechada, que a pesquisadora Tainá Andrade abriu o YouTube e buscou por “treino de inferiores”. Agacha, chuta, levanta. A sequência de exercícios prescrita por uma influenciadora não deixou Tainá com as pernas mais fortes para curtir os blocos de rua, mas provocou uma grave crise de coluna. O resultado foram cinco dias de cama e duas semanas de dores intensas, amenizadas apenas com injeções, remédios e fisioterapia: “Não conseguia me mover direito, só conseguia ficar deitada. Doía muito mesmo, nível 10 de dor”, lembra.

Tainá nem sequer era iniciante. Na época, já acumulava anos de prática de Pilates, natação e musculação, sempre sob a orientação de um Profissional de Educação Física — o que garantia treinos sem sobrecarga e livres de complicações. Os exercícios da influenciadora, no entanto, desencadearam uma condição que Tainá desconhecia: uma hérnia de disco, confirmada em 2026 por exames de imagem. Hoje, após o trauma, ela não se deixa mais influenciar: “Acredito ser perigoso pegar treino na internet justamente porque não é algo individualizado”, declara.

De olho nesse comportamento, os Conselhos Federal e Regionais de Educação Física (Sistema CONFEF/CREFs) alertam para os riscos de copiar treinos de influenciadores ou de ferramentas de Inteligência Artificial. Devido à sua gravidade e urgência, este foi o tema escolhido para a campanha do Dia do Profissional de Educação Física deste ano, comemorado em 1º de Setembro. Por meio de peças lúdicas, as mensagens reforçam que apenas esse profissional possui capacitação técnica atestada pelo registro no CREF, materializado na Carteira de Identidade Profissional. E que prescrever e orientar atividade física sem esse documento incorre em exercício ilegal da profissão, uma contravenção penal. O recado para o público é um só: não se deixe influenciar por qualquer um. Treino eficiente e seguro, só com Profissional de Educação Física devidamente registrado.

Qual a diferença entre copiar o treino de um influenciador e seguir um profissional que compartilha aulas nas redes sociais?

Ao compartilhar uma aula na internet, o Profissional de Educação Física considera a diversidade do público que poderá praticá-la. Sabendo que muitos praticantes podem não ter experiência ou condicionamento adequado, ele elabora treinos com movimentos menos complexos e de menor risco. Além disso, a categoria possui um Conselho atuante e um código de ética a cumprir: caso adote uma postura negligente ou perigosa (mesmo no ambiente digital), o profissional pode ser penalizado e ter seu registro cassado. Assim, enquanto uma lesão causada por um influenciador pode não gerar consequências legais para ele, para o profissional habilitado o impacto é direto e severo.

Já o influenciador, por não ter conhecimento técnico, não tem habilidade para avaliar o que pode ou não ser prescrito a diferentes perfis — como pessoas cardíacas, diabéticas, gestantes, iniciantes ou com lesões prévias e problemas ósseos. Ainda que alguns influenciadores contem com acompanhamento profissional para executar corretamente seus próprios treinos, eles não receberam instrução científica para orientar a prática desses movimentos. Muitos acabam ensinando exercícios — até mesmo os mais básicos — de forma incorreta, aumentando exponencialmente o risco de lesões e complicações de saúde em seus seguidores. Acompanhe a campanha e receba outras informações sobre Educação Física seguindo o Instagram @confef.